Velório de João Gilberto acontece amanhã no Theatro Municipal do Rio

O velório de João Gilberto será realizado amanhã no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O músico, reconhecido como o pai da Bossa Nova, morreu ontem, aos 88 anos de idade.

O Theatro informou que a cerimônia será aberta ao público. Ela começará às 9h e se estenderá até às 14h.

A causa da morte do músico ainda não foi divulgada, mas sabe-se que ele enfrentava problemas de saúde há alguns anos.

Baiano de Juazeiro, João Gilberto lançou discos clássicos como Chega de Saudade (1958), O Amor, o Sorriso e a Flor (1962) e Getz/Gilberto (1964), que revolucionaram a maneira de tocar violão e influenciaram gerações de artistas.

Conhecido pelo temperamento difícil, João Gilberto estava há décadas recluso, não dava entrevistas e não recebia ninguém em casa, a não ser familiares. O cantor e compositor completou 88 anos no último dia 9 de junho. Uma das “organizadoras” da festança foi a neta Sofia, que preparou brigadeiros para o avô.

Ele deixa as filhas Bebel e Luisa, e o filho Marcelo Gilberto.

Trajetória

João Gilberto de Prado Pereira de Oliveira nasceu em Juazeiro, no sertão baiano, em 1931. Com 18 anos mudou-se para Salvador, onde se tornou crooner da Rádio Sociedade da Bahia. Em 1950 foi para o Rio de Janeiro e fez parte de alguns conjuntos musicais, mas foi expulso por indisciplina.

Em 1958, fez participação como violonista no disco de Elizeth Cardoso, com canções de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Em março de 1959, lançou Chega de Saudade, considerado por muitos o marco inicial da bossa nova. No disco, João abriu um novo caminho para um novo estilo de tocar violão, com uma batida e uma harmonia diferentes e o canto doce que influenciou, como disse Tom Jobim, “toda uma geração de arranjadores, guitarristas, músicos e cantores”.

Dois anos depois, lançou “O Amor, o Sorriso e a Flor”, da faixa “Samba de Uma Nota Só”. Em 1962, dividiu o palco com Vinícius de Morais, Tom Jobim e o grupo vocal Os Cariocas. Apresentou-se no Festival de Bossa Nova, no Carnegie Hall de Nova York, onde fixou residência e lançou vários discos de sucesso, como a parceria com Stan Getz, Getz/Gilberto, de Garota de Ipanema, pelo qual recebeu um Grammy de melhor álbum em 1965.

Apresentou-se em festivais e grandes casas de espetáculo, da Europa ao Japão, e fez parcerias ao redor do mundo. Em 1980, voltou a residir no Rio de Janeiro. Os últimos discos de João Gilberto foram João, Voz e Violão (2000), que recebeu o Grammy na categoria best world music album, e o João Gilberto in Tokyo (2004).

Depois de longo período fora dos palcos, em 2008 apresentou-se no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, celebrando 50 anos da bossa nova.

João foi casado com as cantoras Astrud Gilberto e Miúcha –irmã de Chico Buarque, que morreu em dezembro do ano passado, aos 81 anos– e com Cláudia Faissol, sua empresária.

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About the Author: Terra Potiguar

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