Universidade de Wüppertal não confirma pós-doutorado do Ministro da Educação na Alemanha

HAMBURGO, ALEMANHA — O novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, não obteve um certificado de pós-doutor pela Universidade de Wüppertal, no oeste da Alemanha, como divulgado na última sexta-feira (26/06) pelo Ministério da Educação (MEC).

Em nota enviada ao GLOBO, a instituição alemã esclareceu que o ministro conduziu pesquisas na universidade por um período de três meses em 2016, mas não concluiu nenhum programa de pós-doutorado, que, na Alemanha, dura de dois a quatro anos.

“Carlos Decotelli não obteve nenhum título na nossa universidade”, afirmou a responsável pela comunicação da Bergische Universität Wüppertal (BUW), Jasmine Ait-Djoudi. A universidade alemã oferece cerca de 110 cursos em diversas áreas e tem mais de 22 mil estudantes.

No currículo disponível na plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Decotelli descreve que frequentou a universidade alemã entre 2015 e 2017 e que recebeu o certificado de pós-doutor.

O ministro corrigiu seu currículo após o reitor da Universidade de Rosário, na Argentina, confirmar que ele não tem o título de doutor na instituição, apesar de ter estudado lá. Ainda assim, continua constando na plataforma o pós-doc na Alemanha. Para fazer um pós-doc o acadêmico precisa ter concluído o doutorado.

Em Wüppertal, o novo ministro da Educação conduziu uma pesquisa durante três meses sob a orientação de Brigitte Wolf, que foi professora de Teoria do Design na universidade até 2017. Ao GLOBO, Wolf confirmou que o ministro não recebeu nenhum título universitário na Alemanha.

Um pós-doutorado não é um título acadêmico formal, mas é um termo usado em referência a pesquisas feitas após um acadêmico obter um título de doutor.

Em seu site profissional, a professora publicou uma entrevista (veja aqui) com Decotelli sobre a breve experiência acadêmica do ministro na Alemanha. “As empresas estão fortemente envolvidas em pesquisa na Alemanha. Os resultados são melhor divulgados e comunicados”, afirmou o ministro em janeiro de 2016.

“No Brasil, a pesquisa é realizada em nome de instituições e autoridades públicas, os orçamentos estão sujeitos a instruções políticas e os resultados da pesquisa permanecem no ambiente acadêmico”, acrescentou.

Na Alemanha, um pós-doutorado dura, em média, de dois a quatro anos e só pode ser feito por candidatos que possuam um título de doutor – o que não é o caso do novo ministro. No país europeu, mentir no currículo pode levar a uma pena de prisão de até cinco anos por falsificação de documentos, caso o currículo possua a assinatura do candidato.

O GLOBO entrou em contato o MEC e aguarda a posição de Decotelli.

Em nota publicada no último sábado, o MEC disse que “a universidade alemã aceitou apoiar o projeto, considerando a relevância do tema, a conclusão e a aprovação em todos os créditos obtidos no curso de Doutorado em Administração na Universidade de Rosário”, frisando que o ministro não recebeu nenhum título decorrente desta pesquisa”.

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