SBI atualiza orientações sobre a covid-19 e não recomenda Ivermectina

A Sociedade Brasileira de Infectologia atualizou as recomendações sobre a covid-19, em nota publicada na quarta-feira (9). No documento, os especialistas falam sobre os principais sintomas que devem ser observados, momento em que se deve procurar socorro médico, isolamento e também sobre o uso de medicamentos. Segundo a SBI, nenhum medicamento é indicado para o tratamento precoce, incluindo a Ivermectina, medicamento bastante utilizado no Rio Grande do Norte e que é defendido pelo Comitê Científico de Natal, inclusive para o uso preventivo da doença.

No documento, os especialistas explicam que os sintomas mais frequentes da doença são febre, tosse, dor de garganta, dor “tipo sinusite”, náuseas, perda de apetite, perda ou alteração do olfato e/ou do paladar, cansaço, dores musculares, dor torácica e falta de ar. No atual momento da pandemia, os especialistas indicam que todo paciente com sintomas de “resfriado ou gripe” devem ficar imediatamente em isolamento, procurando atendimento médico por consulta presencial ou por teleconsulta.

Para os exames, a SBI sugere que os pacientes sintomáticos devem ser submetidos preferencialmente ao exame swab, sendo a coleta ideal na 1ª semana de sintomas. O exame, segundo a SBI, tem de 60% a 80% de sensibilidade. Sendo positivo, confirma o diagnóstico, já que resultados falso-positivos são raros (especificidade de 99% ou mais). Se o resultado for negativo, mas a suspeita clínica for forte, o paciente também deve completar 10 dias de isolamento respiratório, já que o RT-PCR pode ser falso-negativo. Ainda de acordo com a SBI, os testes sorológicos para (exames de sangue), tanto os rápidos de farmácia quanto os de laboratório, não são recomendados para o diagnóstico precoce da doença.

Sobre os grupos de risco, a SBI explica que principais fatores que fazem a Covid-19 evoluir para casos graves são idade acima de 60 anos, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), doença cardiovascular (insuficiência cardíaca, insuficiência coronariana, cardiomiopatia), diabetes tipo 2, obesidade (IMC de 30 ou mais), doença renal crônica, imunocomprometidos (receptores de transplante de órgãos, pessoas que vivem com HIV e tem contagem de linfócitos T CD4+ baixa, indivíduos com câncer), anemia falciforme. Os especialistas indicam que estes pacientes sejam acompanhados com avaliação dos sintomas, bem como verificação diária de temperatura para detectar febre e da oximetria digital para detectar hipóxia (diminuição de oxigênio no sangue e nos tecidos e órgãos).

Sobre o tratamento precoce nos primeiros dias de sintomas, a SBI não recomenda tratamento com qualquer medicamento (cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, nitazoxanida, corticoide, zinco, vitaminas, anticoagulante, ozônio por via retal, dióxido de cloro), porque os estudos clínicos randomizados com grupo controle existentes até o momento não mostraram benefício e, além disso, alguns destes medicamentos, de acordo com a SBI, podem causar efeitos colaterais.

“Não existe comprovação científica de que esses medicamentos sejam eficazes contra a Covid-19. Essa orientação da SBI está alinhada com as recomendações de sociedades médicas científicas e outros organismos sanitários nacionais e internacionais, como a Sociedade de Infectologia dos EUA (IDSA) e da Europa (ESCMID), Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH), Centros Norte-Americanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Organização Mundial da Saúde (OMS) e Agência Nacional de Vigilância do Ministério da Saúde do Brasil (ANVISA)”, diz a nota da SBI, explicando ainda que, na fase inicial da doença, medicamentos sintomáticos, como analgésicos e antitérmicos, como paracetamol e/ou dipirona, podem ser usados para pacientes que apresentam dor e/ou febre.

Reinfecção

Apesar da comprovação pelo Rio Grande do Norte sobre o primeiro caso de reinfecção da covid-19 no Brasil, a SBI afirma que a reinfecção ou 2ª infecção “parece ser incomum”. Segundo a nota, a maioria das pessoas que tiveram infecção assintomática ou a doença provavelmente estarão imunes por, pelo menos, 3 a 5 meses. “Estudos em andamento e estudos futuros responderão por quanto tempo o paciente ficará imune com mais precisão”, diz a SBI. Porém, os especialistas afirmam que as pessoas que tiveram já Covid-19 também devem continuar praticando as medidas de prevenção, não havendo indicação de fazer sorologia em pacientes que tiveram a doença confirmada através de swab nasal.

Medidas de prevenção As seis “regras de ouro” da prevenção da COVID-19 devem ser praticadas todo dia, o dia todo, e diminuem MUITO o risco de alguém ser infectado. São elas: a) Uso de máscara; b) Distanciamento físico de 1,5 metro; c) Higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool gel a 70%; d) Não participar de aglomerações, como reuniões, festas de confraternização em bares e restaurantes;

Isolamento

A SBI defende todos os pacientes com suspeita clínica forte de Covid-19 e os com doença confirmada devem ficar 10 dias em isolamento respiratório domiciliar, isto é, devem ficar preferencialmente sozinhos no quarto, afastados de seus familiares e amigos. Já os que tiveram o caso grave, que são os que internam nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) ou os imunodeprimidos, poderão ter a duração do isolamento respiratório prolongado para até 20 dias, analisando-se individualmente cada caso. Nenhum exame está indicado para alta do isolamento ou volta ao trabalho.

As pessoas que tiveram contato de alto risco com paciente com Covid-19, como a proximidade sem máscaras, por 15 minutos ou mais e a uma distância menor de 1,8 metro, também devem ficar em isolamento respiratório por 10 a 14 dias (período máximo de incubação). A SBI afirma que o médico deve avaliar o tipo de contato para avaliar a necessidade de testes diagnósticos e acompanhamento. O período de incubação da doença, na maioria dos casos, é entre 2 e 5 dias, podendo chegar a 14 dias.

Alerta

A SBI afirma que é “enorme” a importância de detectar a diminuição de oxigênio nos órgãos e no sangue, a chamada hipóxia. Os especialistas afirmam que oss pacientes que evoluem com pneumonia grave, com falta de oxigênio no sangue e nos órgãos, necessitam de internamento hospitalar. A maioria desses pacientes são os que têm mais de 60 anos ou os que têm doenças crônicas como diabetes, insuficiência cardíaca, enfisema pulmonar, imunodeprimidos, insuficiência renal crônica, obesidade.

Para a SBI, é fundamental detectar o primeiro sinal de hipóxia através da oximetria digital, pois muitos pacientes têm hipóxia sem sentir falta de ar, que é a chamada “hipóxia silenciosa”. Os pacientes de risco devem verificar a oximetria digital (exame com o aparelho oxímetro no dedo) diariamente. A pneumonia com hipóxia (oximetria digital com saturação de oxigênio menor que 95%) geralmente ocorre ao redor do 7º dia de sintomas (entre o 5º e o 9º dia) na maioria dos pacientes. Ao se detectar esta pneumonia com hipóxia, o que ocorre, em geral, quando o comprometimento pulmonar é igual ou superior a 50%, o tratamento hospitalar com oxigenioterapia, dexametasona (corticoide) e heparina (anticoagulante) profilático fará com que a maioria dos pacientes evoluam bem e sem necessidade de ventilação mecânica (respirador) na UTI.

Veja nota completa aqui.
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