Região Metropolitana de Natal completa um mês com leitos de UTI lotados

A falta de vagas em UTI no Rio Grande do Norte completa um mês. Mais de 200 pessoas já morreram à espera de leito.

Depois de cinco dias de espera e uma decisão judicial, dona Maria conseguiu neste sábado (27) uma vaga de UTI. Mas agora, espera em uma nova fila, outras 24 pessoas que aguardam por transferência em ambulância para outros hospitais.

“Esse leito pode salvar a vida da minha mãe”, diz a filha.

Dona Maria está numa UPA em Parnamirim, na Região Metropolitana de Natal. O município montou um hospital de campanha, que começou a funcionar no dia 1º de junho, mas até agora nenhum leito de UTI foi aberto. Segundo a Secretaria de Saúde da cidade, a prefeitura está tentando um convênio com o estado ou outro município. Mesmo sem UTI para Covid, o comércio foi reaberto no dia 23 de maio.

Há um mês, o paciente grave com Covid-19 no Rio Grande do Norte precisa entrar em uma fila que tem em média 60 pessoas todos os dias esperando uma UTI. Nesse mesmo período, o governo do Rio Grande do Norte abriu 33 novos leitos, mas não foram suficientes. De acordo com o Ministério Público do Estado, pelo menos 200 pessoas morreram nessa fila sem conseguir uma vaga.

Neste sábado (27), o Ministério Público Federal e o Estadual emitiram uma recomendação para que a prefeitura de Natal respeite a fila de pacientes por leitos no hospital de campanha, de acordo com o sistema de regulação do Rio Grande do Norte. A recomendação veio depois de uma denúncia de que as vagas da rede municipal estavam sendo ocupadas por pessoas que não estavam na fila.

“Isso ofende, drasticamente e claramente, o princípio da isonomia e cria uma verdadeira fura-fila em um momento crítico de pandemia”, diz o procurador da República Fernando Rocha.

O Rio Grande do Norte tem 24.253 casos confirmados e 909 mortes por Covid. A reabertura do comércio já foi adiada por duas vezes.

“A gente tem observado, a partir dos dados que são analisados, que estamos nesse momento de pico da pandemia, que estamos vivendo o momento de muitas confirmações dos casos. Infelizmente, o que temos para comunicar para os próximos 15 dias é que ainda se espera, sim, a ocorrência de novos casos”, diz a subcoordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesap, Alessandra Lucchesi.

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