Ponte Newton Navarro continua com interdição para pedestres

O acesso de pedestres em um dos lados da Ponte Newton Navarro, bloqueado desde a noite da última quarta-feira (25), permanece fechado pela barricada improvisada por um grupo de pessoas que atua nas cabeceiras da ponte com o objetivo de desencorajar comportamentos suicidas. Apenas o acesso do lado esquerdo para pedestres que atravessam da Redinha para a Praia do Forte está liberado. “Bloqueamos a passagem do lado onde ainda não instalamos uma rede de proteção provisória”, informou Rubens de Medeiros, porta-voz do grupo que está de campana na ponte.

Há quatro dias, para conseguir atravessar o equipamento a pé, ou os pedestres pulam a mureta que separa a ciclofaixa da calçada, ou já alcançam a ponte pelo lado que está liberado, ou se arriscam na travessia da via em um lugar onde não há faixa de pedestres nem semáforo. Um encontro entre as partes envolvidas no imbróglio chegou a ser pré-agendado para a tarde dessa sexta-feira (27), mas acabou não acontecendo.

Tudo indica que o bloqueio deverá continuar até que a liberação da passagem seja tratada durante reunião entre as pessoas do grupo que faz vigília na ponte, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), órgão responsável pelo ordenamento e fiscalização do trânsito de Natal, e pela Secretaria Estadual de Infraestrutura (SIN) pasta do Governo do RN responsável pela execução de obras.

“Deveremos tratar do assunto, muito provavelmente, nessa próxima segunda (30)”, adiantou Gustavo Coelho, secretário Estadual de Infraestrutura. “Queremos entender melhor a proposta para reduzir o risco de suicídios, pois atualmente o grupo não conta com a mesma quantidade de pessoas vista no início das ações e o bloqueio, alegam, tenta otimizar esse trabalho de vigilância. A barreira está instalada exatamente onde a maioria das pessoas costumam pular”.

O gestor reconhece que o tema “é bastante delicado. Tem bastante gente que apóia integralmente a medida, e precisamos considerar esse todo antes de tomar qualquer atitude”, acrescentou Coelho. Não existem dados oficiais sobre o número de suicídios cometidos no local, mas a Ponte Newton Navarro registra casos desde que foi inaugurada em 2007.

O secretário adjunto de Trânsito da STTU, Walter Pedro, disse que conversou com Gustavo Coelho, e antecipou que o Município vai se posicionar após a reunião com o titular da SIN e o grupo que tenta evitar os casos de suicídios na Ponte Newton Navarro. “No momento buscamos a pessoa responsável pelo bloqueio para notificação. Queremos ouvir o posicionamento do grupo”, destacou Pedro.

Vida
O representante do grupo de voluntários que atua nas cabeceiras da ponte Rubens de Medeiros, por sua vez, cobra a instalação de estruturas de proteção dos dois lados da ponte para evitar os suicídios. “A vida está valendo muito pouco no Brasil. Se alguém importante, ou o parente de alguém importante, tivesse pulado da ponte já teriam resolvido esse problema”, reclamou.

Medeiros lembra que o grupo fez uma uma cota (cerca de R$ 3 mil) para comprar e instalar a rede de proteção provisória. “O governo Federal já liberou R$ 2,7 milhões para o serviço, mas até agora não fizeram nada. Ninguém quer se responsabilizar pela ponte: o Município empurra para o Estado, que joga para o governo Federal”, criticou. Ele disse que aguarda definição sobre data e horário da reunião. A instalação de redes de proteção na ponte é objeto de ação judicial desde 2012.

Em maio deste ano, um projeto foi apresentado por arquitetos e engenheiros dos conselhos de Arquitetura e Urbanismo (CAU) e o Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) para instalação de telas de vidro – material escolhido por não interferir na estética da estrutura. O orçamento inicial da proposta foi de R$ 2,7 milhões, valor já disponibilizado pelo Ministério do Desenvolvimento Regional.

“O Ministério abriu uma chamada pública para contratar a empresa para fazer o serviço há mais de um mês, mas ainda não temos definição sobre interessados”, disse Gustavo Coelho.

Contudo, o secretário Estadual de Infraestrutura declarou que o valor aprovado “não é suficiente para viabilizar toda a proteção necessária da ponte. Estamos fazendo algumas projeções e ajustes no projeto para que caiba dentro do orçamento. Talvez seja preciso reduzir a extensão da intervenção e garantir a segurança em uma área menor”. Gustavo Coelho acredita que seriam R$ 3,8 milhões “ou mais” para viabilizar o serviço completo.

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