Performance cancelada pelo Governo do RJ é realizada no meio de rua do Centro

A performance Literatura Exposta, que não pode ser apresentada na Casa França-Brasil, no Centro do Rio foi realizada na tarde desta segunda-feira (14) no meio da rua. O coletivo cultural És Uma Maluca teve a obra suspensa no domingo (13) pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, sob a alegação de descumprimento de contrato.

O ato foi acompanhado desde o início por uma equipe do 5º Batalhão da Polícia Militar. Os policiais chegaram a informar aos presentes que a manifestação não seria permitida sem a apresentação de uma autorização.

No entanto, o ato foi realizado com algumas alterações: a performance que estava prevista para ser feita com uma mulher nua, foi apresentada pela artista Juliana Varner vestida.

Encenação aconteceu no Centro do Rio   — Foto: Matheus Rodrigues/G1

Encenação aconteceu no Centro do Rio — Foto: Matheus Rodrigues/G1

O ato foi uma crítica à tortura durante a ditadura militar, com uma mulher interagindo com a obra “A voz do ralo é a voz de deus”. A artista se deitou no chão ao lado de um bueiro com inúmeras baratas, que subiam pelo seu corpo. Uma intervenção sonora reproduzia falas do presidente da República, Jair Bolsonaro.

As frases “As ações de vocês será tipificadas como terrorismo” e “Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra” eram reproduzidas durante o ato em frente à Casa França-Brasil.

Cartaz protesta contra proibição de performance em exposição no Rio de Janeiro — Foto: Matheus Rodrigues/ G1Cartaz protesta contra proibição de performance em exposição no Rio de Janeiro — Foto: Matheus Rodrigues/ G1

Cartaz protesta contra proibição de performance em exposição no Rio de Janeiro — Foto: Matheus Rodrigues/ G1

O governador Wilson Witzel disse em entrevista neste domingo (13) que o cancelamento aconteceu devido a “descumprimento de contrato” porque supostamente os organizadores não avisaram o governo que haveria uma performance envolvendo nudez no espaço.

“A Casa França-Brasil é administrada pelo estado e havia sim uma exposição autorizada pelo secretário de Cultura e nessa exposição não havia nenhuma performance humana, muito menos com nudismo. Então a questão não é a performance, não é o coletivo e não se trata de de censura. Se trata do descumprimento do contrato. O contrato foi descumprido e uma vez descumprido ele não pode ser executado no espaço público”, disse Witzel.

G1

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