Governo do RN adia reabertura das atividades comerciais

O Governo do Rio Grande do Norte adiou nesta segunda-feira, 15, o plano de reabertura gradual da economia por mais uma semana. Prevista inicialmente para esta quarta-feira, 17, a reabertura foi adiada para o dia 24 deste mês porque a ocupação dos leitos públicos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e semi intensivos permanece acima de 70%. O critério de ocupação dos leitos foi estabelecido como “meta sanitária” para a retomada das atividades. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira pela governadora Fátima Bezerra em videoconferência realizada com o setor empresarial. A medida foi criticada por empresários.

O presidente do Sistema Fecomércio RN, Marcelo Queiroz, participou da reunião com Fátima Bezerra. No encontro, a ela informou que irá renovar até o dia 24 de junho, exatamente como está, o Decreto de Isolamento Social cuja vigência se expira nesta terça-feira, 16.
Queiroz fez questão de marcar sua posição contrária a esta nova postergação do início da reabertura econômica. “Destaquei que a economia está além do limite que pode suportar. O comércio ja demitiu cerca de dez mil pessoas, o setor deixou de faturar, até o final de maio, R$ 192 milhões. Além disso, os números que temos hoje no Estado, relativos ao avanço da doença, permitem que o protocolo de retomada seja implantado, já que ele é extremamente rigoroso e prevê passos firmes e graduais com responsabilidade e toda a segurança possível para empreendedores, colaboradores e clientes”, ressaltou Queiroz. Ele explica ainda que, apesar da discordância, respeita a decisão da governadora.
O presidente da Associação dos Empresários do Bairro do Alecrim (AEBA), principal centro comercial de rua de Natal, Pedro Campos, disse que existe a expectativa por parte dos comerciantes de uma abertura gradual dentro de regras específicas. Entretanto, Campos falou que “a orientação da AEBA para os empresários é seguir as recomendações que estarão no decreto”.
Existia a expectativa de empresários e lojistas de uma abertura gradual das atividades econômicas no novo decreto porque o documento atual, em vigor até esta terça-feira, previa a retomada. No entanto, a reabertura estava condicionada à ocupação máxima de 70% dos leitos críticos (intensivos e com respiradores) do Estado. A ocupação atual é de 93,2%, sendo total nas regiões metropolitana de Natal, Mossoró (Oeste) e Pau dos Ferros (Alto Oeste).
“As medidas de intensificação do isolamento social do último decreto, a antecipação de feriados, pelo Estado e por alguns municípios, e o Pacto pela Vida que contou com a adesão da maioria dos municípios potiguares, certamente têm nos revelado bons resultados que poderão ser observados nos próximos dias. Mas, infelizmente ainda não são suficientes para nos dar segurança para a reabertura do comércio”, disse a governadora em comunicado enviado à imprensa.
Somente a região do Seridó tem leitos disponíveis, no Hospital Regional Telecila Freitas, em Caicó. Dez dos 17 leitos intensivos estão desocupados. Ao todo, 55 pessoas com suspeita ou confirmação da Covid-19 em estados de saúde considerados grave ou muito grave esperam a transferência para um leito intensivo, com respirador mecânico.
O cientista Ricardo Valentim, membro do Comitê Científico da Sesap/RN, declarou que o monitoramento atual da pandemia no Rio Grande do Norte ainda indica uma pressão muito grande sobre os leitos críticos, mas uma redução da velocidade do contágio (medida através da taxa de transmissibilidade, que indica para quantas pessoas um infectado transmite a doença). Se a velocidade do contágio permanecer baixa, acredita Valentim, a tendência é a ocupação dos leitos intensivos diminuir nas próximas duas semanas e permitir uma abertura mais segura. “A nossa recomendação para o governo é ampliar ao máximo a capacidade de leitos até a próxima semana, junto com os municípios. O principal indicador contra a reabertura hoje é a pressão de leitos, que não está boa”, disse.
Segundo o sistema de monitoramento do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN), a taxa de transmissibilidade chegou a 1,28, ou seja, cada infectado contagia pelo menos uma outra pessoa. “A gente percebe que essa velocidade de contágio vem reduzindo gradualmente. Só que ainda permanece alta. Para ilustrar melhor, é como você estar numa estrada em que a velocidade máxima é de 80 km/h. Você estava em 160 km/h, e agora está em 120 km/h. Está mais baixo que antes, mas permanece rápido”, explicou Valentim.
Pressão
A pressão pela reabertura gradual da economia cresce a cada dia por causa dos prejuízos econômicos, segundo fontes ouvidas pela TRIBUNA DO NORTE. Durante 90 dias de distanciamento, cerca de 10 mil empregos formais foram perdidos, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo  (Fecomércio RN). Os empresários também afirmaram que mais tempo de pandemia levaria muitas empresas pequenas e médias à falência definitiva.
RN tem 14 mil infectados por Covid-19
O Rio Grande do Norte chegou nesta segunda-feira, 15, a 14.214 infectados pelo novo coronavírus e 553 mortes confirmadas. Outras 114 mortes permanecem em investigação, e o número de pessoas suspeitas de terem contraído o vírus supera 22,3 mil. Os dados foram divulgados pela Sesap/RN na coletiva de imprensa desta segunda-feira.
“Isso mostra que a situação epidemiológica do Estado do RN continua preocupante. Ainda é necessário que as medidas de distanciamento social sejam intensificadas com a colaboração de todos e da população para gente ter um cenário melhor, com a curva reduzida”, afirmou Samara Pereira Dantas, articuladora e coordenadora de Redes de Atenção da Sesap/RN.
Ao todo, 728 pessoas estão internadas nas redes de saúde privada e pública. A taxa de ocupação de leitos críticos é de 93% na rede pública. A ocupação dos leitos é total na região metropolitana de Natal, Mossoró e Alto Oeste. Na terceira região de Saúde, onde três leitos críticos foram instalados no município de Guamaré, a ocupação também é completa. A maior disponibilidade é em Caicó, onde 33,3% dos leitos estão disponíveis.
A Sesap/RN informou que a média do distanciamento social nos últimos quatro dias, entre a quinta-feira, 11, e o domingo, 14, foi de 48%. Além do fim de semana, os dias 11 e 12 foram feriados no Rio Grande do Norte, graças à antecipação da celebração dos Mártires de Uruaçu e Cunhau.
A taxa, perto do mínimo de 50% esperado pelo decreto estadual, é vista como insuficiente pela Sesap/RN porque foi alcançada durante dias de menor movimento por serem feriados. Em dias úteis, a média é de 41% de adesão ao distanciamento social, segundo dados da plataforma InLoco.
De acordo com o Governo do Estado, foram criados e destinados 327 leitos para o tratamento da Covid-19, sendo 197 de UTI e 130 leitos clínicos. Ainda de acordo com o Executivo, novos leitos serão criados nos próximos dias. No decreto, não houve a confirmação sobre quantos novos serão criados, mas a governadora informou que a perspectiva de abrir 206 leitos, sendo 135 de UTI, nos próximos 30 dias, analisando a possibilidade de novos convênios com a rede privada.
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