Comer poucos grãos e frutas é pior do que ingerir carne demais

Quem paga US$ 12 por um prato de torradas cobertas com abacate ? tão na moda nos EUA ? não precisa se sentir mal. Se o pão for integral e o prato vier com mais frutas, o gasto compensa na forma de uma vida mais longa.

Quando os órgãos governamentais fazem recomendações nutricionais, geralmente focam na redução de alimentos prejudiciais à saúde, como carne processada, doces e gorduras trans, e dão menos ênfase ao aumento do consumo de alimentos mais nutritivos, como grãos integrais, frutas e verduras. Um novo estudo sugere que limitar o consumo de alimentos não saudáveis não é a melhor abordagem.

Dietas ruins foram responsáveis por 11 milhões de mortes em 2017 ? tanto pelo consumo excessivo de maus alimentos quanto pela baixa ingestão dos bons, de acordo com o estudo. Três fatores específicos causaram metade das mortes relacionadas a hábitos alimentares: baixo consumo de grãos integrais e frutas e alta ingestão de sódio.

Embora o alto consumo de carne vermelha, carne processada, gorduras trans e bebidas açucaradas tenha contribuído para as mortes, esses fatores “estavam na parte inferior do ranking dos riscos alimentares… na maioria dos países de grande população”, explicou o estudo. Portanto, programas governamentais que incentivem a alimentação saudável podem causar maior impacto do que programas que visam a redução do consumo de determinados alimentos.

“É preciso haver uma transformação no sistema alimentar”, disse Ashkan Afshin, principal autor do estudo e professor assistente do Instituto de Avaliação e Métricas de Saúde da Universidade de Washington. Ele defende a ampliação e melhora da produção de alimentos, com cultivo de mais frutas, verduras, nozes e grãos dos quais os componentes nutricionais não tenham sido extraídos. O estudo acrescentou que a sustentabilidade ambiental precisa ser considerada no aprimoramento dos sistemas agrícolas, incluindo os impactos sobre mudanças climáticas, biodiversidade e uso da terra e da água.

Os pesquisadores mediram 15 fatores de risco relacionados à ingestão de alimentos e nutrientes específicos entre a população com mais de 25 anos em 195 países, usando dados de diversas fontes, como pesquisas nacionais ou subnacionais sobre nutrição, números de vendas, relatórios da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a base de dados Global Nutrient. Os pesquisadores escolheram os fatores de risco a partir da disponibilidade dos dados e sua relação com doenças e políticas públicas.

O estudo reconheceu várias limitações: alguns países tinham dados insuficientes sobre itens avaliados (como o consumo de sódio) e o fato de depender de outros estudos significa que seus resultados incorporam as limitações dos mesmos.

Nos EUA, a política nutricional é uma colcha de retalhos, mas o foco é retirar da mesa das pessoas os ingredientes potencialmente nocivos. Em nível nacional, o órgão regulador de alimentos e remédios (Food and Drug Administration ou FDA) anunciou em 2015 que a indústria de alimentos tinha três anos para eliminar os óleos parcialmente hidrogenados, que são a principal fonte de gorduras trans. Nem todas as empresas conseguiram cumprir o prazo. Em nível local, algumas cidades aumentaram impostos sobre a venda de bebidas açucaradas, com resultados ambíguos.

Quando Barack Obama era presidente, sua esposa Michelle conseguiu mudar as exigências nutricionais nas refeições servidas nas escolas, demandando mais frutas, verduras e grãos integrais, e limitando calorias, sódio e gorduras trans.

No ano passado, com Donald Trump na Casa Branca, o Departamento de Agricultura anunciou a reversão de muitas dessas exigências. Na quarta-feira, o governo Trump foi processado por seis Estados em um tribunal federal em Manhattan devido ao plano de permitir mais sal e menos grãos integrais nas escolas do país.

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About the Author: Terra Potiguar

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