‘Coitado do meu filho’, diz Monique em conversa com babá de Henry

Mensagens trocadas entre a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe do menino Henry Borel Medeiros, de 4 anos, e a babá Thayna de Oliveira Ferreira, de 25 anos, no dia 12 de fevereiro, revelam que ela sabia das agressões do médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade), contra seu filho. De acordo com as mensagens, a que o GLOBO teve acesso, a professora chega a lamentar pelo filho depois que a babá avisa que o parlamentar estaria dentro do quarto com a criança.

Em um trecho de uma conversa entre as duas, Monique se diz apavorada pelo fato de o menino estar no quarto com Dr. Jarinho:

Em troca de mensagens, Monique diz à babá que estava "apavorada" porque Jairinho estava com o menino no quarto Foto: Reprodução
Em troca de mensagens, Monique diz à babá que estava “apavorada” porque Jairinho estava com o menino no quarto Foto: Reprodução

Já nesta parte, Monique diz “coitado do filho”, ao saber que o menino queria que a babá ficasse ao lado dele:

Monique diz "coitado do meu filho", após Thayna contar que Henry queria que a babá ficasse a seu lado Foto: Reprodução
Monique diz “coitado do meu filho”, após Thayna contar que Henry queria que a babá ficasse a seu lado Foto: Reprodução

Em outro momento, a babá diz que Henry estava mancando:

Em outra mensagem, a babá diz para Monique que Henry estava mancando Foto: Reprodução
Em outra mensagem, a babá diz para Monique que Henry estava mancando Foto: Reprodução

Dr. Jairinho (Solidariedade) e a professora, presos nesta quinta-feira acusados de envolvimento na morte do filho de Monique, serão indiciados por homicídio duplamente qualificado. Após um mês de investigações, o delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), acredita ainda que o casal torturou o menino Henry Borel Medeiros, de 4 anos, sem chance de defesa. Se condenados, eles podem ficar até 30 anos presos. O parlamentar, que foi afastado pelo seu partido e pode perder seu cargo, “impunha uma rotina da violência ao enteado”. É o que concluíram as investigações da Polícia Civil após ouvir 18 testemunhas no inquérito. Para o delegado, “há provas contundentes que revelam fundadas razões de autoria de crime hediondo”.

Foram feitas perícias também nos 11 celulares e computadores apreendidos com o pai do menino, o engenheiro Leniel Borel de Almeida, além da sua ex-mulher e do vereador. Eles conseguiram recuperar as mensagens trocadas entre a professora e a babá do menino, em 12 de fevereiro, que mostram a funcionária alertando a patroa sobre as agressões cometidas por Jairinho.

O depoimento da babá, inclusive, foi um dos fundamentos para o pedido de prisão. De acordo com a polícia, ela teria mentido e afirmado que a família vivia em harmonia e que nunca havia presenciado nenhuma anormalidade no apartamento onde moravam no condomínio Majestic, na Barra da Tijuca. Para a polícia, que já sabe que a criança levava do parlamentar chutes, bandas e pancadas na cabeça com o conhecimento de Monique, Thayna de Oliveira Ferreira, de 25 anos, poderia estar sendo influenciada pelo casal. Nesta quinta-feira, além da prisão do casal, a polícia cumpriu mandado de busca e apreensão na casa de Thayna e apreenderam o celular dela.

Além das agressões de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade), contra o menino, o depoimento prestado pela babá Thayna de Oliveira Ferreira, de 25 anos, ao delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), foi um dos fundamentos para o pedido de prisão do vereador e de sua namorada, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, por suspeita de envolvimento na morte do filho dela. A funcionária mentiu ao garantir que a família vivia em harmonia e que nunca havia presenciado nenhuma anormalidade no apartamento onde moravam no condomínio Majestic, na Barra da Tijuca.

O que mostra o inquérito

O inquérito aponta que menino chegou ao condomínio Majestic, no Cidade Jardim, levado pelo pai, o engenheiro Leniel Borel de Almeida, por volta de 19h20 do dia anterior à morte. Monique teria dado banho no filho e o colocado para dormir no quarto que dividia com Jairinho. Por volta de 3h30, quando já tinham pego no sono após assistir uma série na televisão, de acordo com depoimento, a professora e o vereador disseram ter encontrado a criança caído no chão do cômodo, com pés e mãos gelados e olhos revirados.

Eles, então, levaram Henry para a emergência do Hospital Barra D’Or, onde as médicas garantem que Henry já chegou morto e com as lesões descritas nos laudos de necropsia.

Ao ser questionada durante seu depoimento, Monique afirmou acreditar que Henry possa ter acordado, ficado em pé sobre a cama, se desequilibrado ou até tropeçado no encosto da poltrona e caído no chão. Também na delegacia, Jairinho contou que, após ouvir os gritos da mulher, caminhou até o quarto, colocou a mão no braço de Henry e notou que o menino estava com temperatura bem abaixo do normal e com a boca aberta, parecendo respirar mal. O vereador disse que acreditou que Henry havia broncoaspirado, mas seu quadro evoluía mal, já que no caminho para o hospital não respondeu à respiração boca a boca nem aos estímulos feitos por Monique. Jairinho contou que, apesar de ter formação em Medicina, nunca exerceu a profissão e a última massagem cardíaca que realizou foi em um boneco, durante a graduação.

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