Cardiologista suspeito de abusar de pacientes tem prisão preventiva decretada

Pedido foi feito pela polícia e pelo Ministério Público, com base nas 15 primeiras denúncias. Já são 33 relatos de vítimas de abusos.

A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva do médico Augusto César Barreto Filho. Trinta e três mulheres afirmam que sofreram abusos sexuais dentro do consultório dele, em Presidente Prudente.

O pedido foi feito pela polícia e pelo Ministério Público de São Paulo com base nas 15 primeiras denúncias registradas contra Augusto César Barreto Filho. Nos últimos dois dias, mais mulheres procuraram a delegacia de Presidente Prudente. A dona de casa Simoni Aparecida de Oliveira é uma delas. Ela contou que o médico abusou sexualmente dela numa consulta em março de 2014.

“O médico, na ocasião, pediu que eu deitasse e foi ouvindo o batimento, essas coisas; medindo a pressão. Ele pediu que eu esticasse o braço, foi quando aconteceu dele encostar na minha mão e eu puxar a mão. E ele pedir que eu abrisse ela novamente e ficou de uma forma que encostou ainda mais, né? Nas partes íntimas dele. E ele sempre encostando em mim, pegando. Pegando na cintura. De alguma forma, ele tinha que estar encostando. Fiquei pensando, nossa será que é isso mesmo? Será que eu estou enganada? Será que é porque tem pouco espaço? Eu não denunciei porque eu pensei, ‘poxa, será que foi isso mesmo?’ E quem sou eu, né? Ele era um médico influente, conhecido na cidade de Presidente Prudente”, afirma.

As denúncias registradas nos últimos dois dias continuam sendo reunidas e podem fazer parte de um segundo inquérito contra o médico.

“Ele se levantou, ele foi encostando nas minhas nádegas. Ele foi cada vez mais encostando, cada vez mais encostando, cada vez mais encostando. Aí foi quando eu olhei. Ele estava com a calça aberta e o pênis de fora. E ele encostando. Aí foi quando eu peguei o joelho e dei nele. Ele se desequilibrou e caiu. Eu peguei a chave, que estava trancada, e sai correndo”, relembra uma vítima que não quis se identificar.

“Ele veio para medir a minha pressão. Aí quando eu estiquei o braço para ele pôr, ele começou a acariciar o meu seio. Aí eu deitei. Quando eu vi que ele se levantou da mesa que ele estava me atendendo, eu vi que ele estava excitado pela roupa. Enfim, eu deitei e ele tentou novamente, com a mão dele, passar minha mão nos órgãos genitais dele”, fala outra vítima que não mostrou o rosto.

Barreto Filho chegou a pedir o cancelamento do registro profissional depois que as primeiras denúncias foram registradas, em julho, e ele passou a ser investigado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo. O pedido foi negado pelo conselho e o registro continua ativo até hoje. Segundo o CRM, se o registro fosse cancelado, Barreto Filho poderia reativá-lo mais tarde e voltar a atender sem sofrer nenhuma punição, que, nesse caso, pode chegar à cassação do direito de exercer a medicina.

“Eu não tive coragem de denunciar, eu não tive coragem de fazer nada. Por quê? Porque eu era muito pequena diante dele. Então, eu acabei entrando num psiquiatra, faço tratamento até hoje, porque minha cabeça ficou… Eu não entendia por que ele fazia aquilo, por que ele estava fazendo aquilo comigo e não achava que ele fizesse isso com outras pessoas também”.

A defesa de Augusto César Barreto Filho disse que ele não atua como médico há meses e que ainda não foi comunicada oficialmente sobre as denúncias.

G1

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