Arboviroses: Infecção sequencial preocupa autoridades

Com o aumento de casos do sorotipo 2 de dengue em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, as autoridades de saúde do Rio Grande do Norte vêm reforçando as recomendações para que os médicos da rede solicitem o isolamento viral para as notificações de dengue, a fim de identificar uma possível entrada dessa tipificação do vírus no Estado. Até o momento, as autoridades afirmam que há apenas o sorotipo 1, o que circula há mais tempo no Brasil.

De acordo com o último boletim epidemiológico emitido pela Secretaria do Estado de Saúde Pública (Sesap), 2019 apresenta uma quantidade significativamente inferior no número de casos notificados e confirmados de 2018. Em 2019, foram notificados 2.727 casos suspeitos de dengue, dos quais 624 foram confirmados. Desses, 18 foram considerados dengue “com sinais de alarme”, e outros 2, “dengue grave”, de acordo com o Boletim.

Em 2018, dos 4.682 casos notificados nas 13 primeiras semanas do ano, 1.509 foram confirmados, 41% a mais do que no ano presente. Dentre as confirmações, 49 foram de “dengue com sinais de alarme” e 5 de “dengue grave”. As definições de dengue com sinais de alarme e dengue grave são definidas a partir dos sintomas apresentados por cada paciente.

Ao todo, existem 5 sorotipos de dengue identificados circulando no mundo. Desses, quatro circulam no Brasil, e um é encontrado apenas na Malásia. O sorotipo 2, explica o médico infectologista Kléber Luz, acaba voltando a circular de tempos em tempos. “O tipo 2 sempre volta, de ano em ano ele é isolado novamente. O aumento de casos no sudeste coloca em alerta porque pode representar esse retorno”, explica.

Apesar dos sintomas em si do sorotipo 1 e 2 não serem diferentes, é a chamada “infecção sequencial” que pode representar um risco maior para o paciente que já contraiu a dengue em um momento anterior, afirma o médico. “Ela não necessariamente vai ter uma agressividade maior, mas geralmente é o que acontece, e vai apresentar essa característica principalmente se estiver presente na forma infecção sequencial”, afirma.

A infecção por dengue provoca imunidade permanente contra o sorotipo contraído naquele momento. A teoria da infecção sequencial explica que, na medida em que os anticorpos adquiridos – seja de forma ativa ou passiva – impedem a reinfecção pelo mesmo sorotipo da doença que estimulou sua produção, eles também facilitam a infecção por outros sorotipos, e podem agravar os seus sintomas.

O tempo em que é possível fazer o isolamento viral para identificar exatamente o sorotipo da dengue ou, até mesmo, qual arbovirose a pessoa contraiu, é curto. Ele deve ser feito preferencialmente em até 5 dias após o aparecimento dos sintomas. Após o 10º dia, torna-se praticamente impossível identificar o vírus.
Outras arboviroses presentes no RN 
Além da dengue, o Boletim Epidemiológico apresenta os dados de chikungunya e zika no Estado – ambas doenças tiveram uma queda no número de notificações e confirmações em comparação ao mesmo período de 2018.

Infectologista Kléber Luz explica preocupação com possibilidade de infecção sequencial

Infectologista Kléber Luz explica preocupação com possibilidade de infecção sequencial
Em 2019, foram notificados 297 casos de chikungunya, dos quais 98 foram confirmados. Não houve nenhum óbito notificado ou registrado em decorrência da doença no estado. Em 2018, até a 13ª semana epidemiológica, foram feitas 647 notificações, com 127 casos confirmados da doença. No período, 19 óbitos foram notificados, dos quais 2 foram confirmados como sendo em decorrência da chikungunya.

Já a zika ainda não apresentou nenhum caso confirmado esse ano, apesar das 54 notificações. Em 2018, foram 209 notificações, e a maior incidência foi no município de Jucurutu, na 4ª Região de Saúde. Dos 209 notificados, 22 foram confirmados.

Números 
624  casos de dengue foram confirmados este ano, sendo 18 com sinais de alarme.
1.509 casos de dengue foram confirmados no  RN ano passado no mesmo período.
41% é o índice de queda de casos confirmados entre os dois anos nas 13 primeiras semanas.
98 casos de Chikungunya foram confirmados este ano, das mais de 290 notificações.
54 suspeitas de Zika foram notificadas este ano, embora nenhuma confirmação até o momento.
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